Pandemia impacta o mercado gastronômico
- Lucas Abade

- 23 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Com o coronavírus, muitos restaurantes tiveram que se reinventar para continuarem funcionando
Apesar de a gastronomia ter sido muito afetada pela crise, outros segmentos do setor tiveram certo crescimento. Uma das primeiras soluções foram os serviços prestados pelas empresas de delivery, que possibilitaram ao mercado continuar faturando. Com uma crise sanitária acompanhada da crise econômica criou-se um cenário perfeito para as empresas de delivery, um grande fluxo de recém desempregados em busca de empregos, inúmeras pessoas em casa pedindo comida e restaurantes cada vez mais dependendo de pedidos para entrega. Esse serviço de delivery expandiu o mercado, o entregador Vinícius Santa relata a oportunidade que se abriu com o crescimento dessas empresas de delivery. “Na minha visão é um setor que cresceu muito, que ajudou muita gente que estava desempregada e ajuda até hoje”, disse o entregador.
Com todo esse crescimento, sendo uma das únicas alternativas viáveis, as empresas de delivery tiveram seus lucros crescendo de uma forma inesperada. Com um aumento muito grande na demanda das entregas durante a pandemia, os entregadores fizeram uma manifestação reivindicando melhores condições de trabalho e um pagamento mais justo nas taxas por entregas. Diante disso, Vinícius foi questionado se a manifestação teve um resultado positivo. “Teve, mas na verdade os aplicativos nunca pagaram mal, a questão era mesmo as condições de trabalho. Após a manifestação, o iFood passou a prestar mais assistência aos entregadores, oferecendo mais proteção como seguro de vida, participação em rede privada de saúde e equipamentos de proteção à Covid-19”, esclareceu Vinícius.
Desempregado antes do cenário de pandemia, Vinícius e muitos outros desempregados conseguiram através das entregas, tirarem uma renda que os sustentam no meio dessa crise. “Se você trabalha em um dia das 11h às 14h e das 18h até as 22h, que são os horários de pico, você consegue tirar em média uns 180 a 200 R$ por dia, no mês uma média de 3.000 a 3.500R$”. Esse setor da gastronomia reaqueceu o mercado, gerando muitos empregos e mantendo os restaurantes funcionando no meio de uma pandemia.
A partir da pandemia do coronavírus, muitos bares e restaurantes ficaram um longo período com as portas fechadas, também foi o caso do restaurante “Carrito Organic”, restaurante de comida vegana que fechou as portas por sete meses na primeira onda da pandemia, a chef e proprietária do restaurante Camila Borba, conta como lidou com essa crise. “Na primeira onda da pandemia, onde ficamos sete meses fechados, o restaurante só funcionava por delivery e retirada, na segunda onda ficamos um mês e meio fechados, e por restrições do governo só era permitido o delivery”, ressaltando a importância desse serviço.
O número de restaurantes que deixaram de existir após a pandemia é muito alto. No estado de São Paulo, dos 250 mil bares e restaurantes, 50 mil deixaram de existir, os dados são da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Diante dessa perspectiva, o segredo para sobreviver a essa crise é uma boa gestão e administração de seu estabelecimento. Camila conseguiu manter seu restaurante mesmo nessa crise. “A logística de custo, de oferta e procura é muito importante para você conseguir trabalhar em uma cozinha com lixo zero, sem desperdício. Com isso, é possível controlar as produções diárias e o armazenamento de alimentos e aí você vai comprando conforme você vai gastando”, esse planejamento foi essencial para a sobrevivência do restaurante “Então eu acredito que isso ajudou o restaurante a se manter, quando você monta um fundo de caixa e quando seu restaurante está preparado financeiramente, você consegue enfrentar esse tipo de situação”. Conseguir uma margem de lucro no meio de uma pandemia é muito difícil, as economias ficam empatadas entre gastos e custos e o restaurante se mantém através disto.
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