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Unindo cidade, campo e floresta

  • Foto do escritor: Matheus Silva
    Matheus Silva
  • 23 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de mai. de 2021

Com seu jeito hippie, sorriso sempre estampado no rosto e sua forma serena de falar, muitos se surpreendem ao conhecer a trajetória repleta de lutas e dificuldades do socioambientalista nascido e crescido na capital do Brasil.


Thiago Ávila, em suas próprias palavras, cresceu como um típico jovem de classe média em Brasília e foi já em sua fase adulta, em 2006, que veio o ponto de virada. Após rodar pelos países latino-americanos e entrando em contato com as culturas dos povos originários, que o jovem de 19 anos descobriu qual era seu propósito de vida ao se aprofundar na forma de ver o mundo e as relações entre o homem e a natureza usada até hoje por muitos povos indígenas: o bem viver.


Voltando ao Brasil, Thiago pôs na prática sua sede por mudanças e passou meses em ocupações e aldeias. Porém, logo depois recebeu a notícia que sua mãe havia sofrido três AVCs. A responsabilidade pela saúde da mãe recaia sobre seus ombros e a militância e o bem viver agora estavam em segundo plano.


Mas mesmo entre quartos de hospital e dívidas médicas absurdas, Thiago começou a se aprofundar em sua formação política. Foi nessa época que mergulhou na teoria marxista e observou como essa se encaixava no Bem Viver.


Foi em 2013, após um acidente de carro, que Ávila decidiu que ao final do ano iria desistir de seu emprego em uma consultoria internacional após quitar as contas médicas caríssimas do tratamento de sua mãe para ganhar notabilidade como militante no ano seguinte.


Thiago começou a se organizar e a recrutar outras “formiguinhas”, como esse chama seus companheiros de luta, em movimentos rurais e urbanos que lutam por terra e moradia ajudando na construção de vilas e casas agroecológicas pelas partes mais pobres do segregado Distrito Federal.


Em 2014, na época dos protestos contra a Copa do Mundo, Thiago entra no radar das autoridades pela sua ativa presença em manifestações. Até sendo taxado por alguns como um possível agente internacional. Mas nem com essas acusações exageradas o brasiliense recuou de alguma forma.


Por meio de seu canal no Youtube, o Bem Vivendo, o socioambientalista busca a cada dia conscientizar mais pessoas sobre o bem viver e o ecossocialismo, mas também fazer um “chamado para ação” no final de cada vídeo para o que ele chama de grande tarefa histórica do nosso tempo. Seu jeito cativante e sempre otimista ajuda a incentivar sua audiência. Mas o próprio Thiago não vê dessa forma: “Não é nada de especial com relação a mim. As pessoas se conectam e confiam em pessoas que são transparentes sobre seu propósito de vida, que o defendem sem medo e entusiasmo e vivem aquilo que dizem (a tal da práxis)”.


Nem sua derrota nas eleições para deputado em 2018 e a vitória de Jair Bolsonaro nas urnas foram capazes de minar a força de vontade e o otimismo de Thiago, que não se limita apenas ao discurso e desafia a imagem de paz e amor que muitos tem dele. “Eu acho até engraçado ter gente que tem uma visão de mim como pacifista. Se você perguntar para alguns coronéis da polícia, donos de construtora, madeireiros e fazendeiros, provavelmente te falariam o oposto”.


Com a chegada da pandemia, Ávila ajudou a organizar o Mutirão do Bem Viver que distribui em várias cidades do Brasil alimentos agroecológicos para comunidades carentes e lutou ao lado de vendedores ambulantes que tinham suas mercadorias confiscadas pela Guarda Civil.


Esse ano chegou a ser preso duas vezes em menos de um mês tentando impedir a remoção dos moradores da ocupação próxima ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) pelo DF Legal que ia contra a liminar que impede despejos durante a pandemia de Covid 19.


Thiago Ávila quebra o estereótipo que se tem de militantes hoje em dia e mostra como discurso e prática funcionam apenas quando juntos. Como ele mesmo diz: “São as pequenas revoluções do cotidiano. Revolução no século XXI não quer dizer pegar no fuzil, quer dizer trabalho de formiguinha”.


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