Por que a pandemia impulsionou a busca por livros de fantasia?
- Felipe Oliveira Carvalho

- 23 de mai. de 2021
- 4 min de leitura
Psicóloga explica a teoria do escapismo em relação à realidade atual, e leitoras contam seu ponto de vista sobre o assunto
Os livros, desde que os conhecemos, sempre foram um atrativo especial para diversas pessoas, sendo grandes fontes de inspiração e criatividade. Com o isolamento social ainda sendo algo muito presente, a procura por livros de gênero fantasioso disparou, com um crescimento em torno de 61%, segundo o portal, o Globo.
Ao falar sobre o porquê do aumento das vendas desse gênero, Carolina Falquetto, especialista em psicologia clínica, comenta que isso ocorre por conta da realidade que estamos vivenciando, onde fazemos descobertas de novas atividades, como a leitura, que podemos exercer dentro de casa sem colocar a saúde em risco.
Ela acredita que o ato de ler textos fantasiosos foi a forma que as pessoas encontraram para aliviar a ansiedade, estresse e escapar dessa nossa realidade tão desconfortável. Porém, Carolina acredita que precisa existir um equilíbrio nesse escapismo da realidade, pois tudo em excesso acaba sendo prejudicial. A psicóloga explica que os livros de fantasia estimulam a imaginação, engenhosidade e curiosidade, mas em contraponto, quando a leitura desse gênero se excede, podemos criar uma expectativa muito grande, que quando nos deparamos com nossa atual vivência, ela acaba sendo frustrada.
Além de livros, menciona que existem outros meios também que a sociedade utiliza como escapismo. Sendo esses, filmes, séries, jogos online e atividades físicas. Conclui acrescentando que, para todos os gostos e estilos, há por aí um método de distração e suavidade.
O Olhar do Leitor
Essa realidade singular que estamos sendo obrigados a vivenciar, levou diversas pessoas a buscarem um “abrigo” em seus livros, na esperança de fazer o tempo passar mais rápido e ocuparem suas cabeças. Visto isso, conversamos com três meninas, que possuem o gênero de fantasia como um de seus favoritos, para saber se utilizam os livros como forma de escapismo e a opinião de cada uma sobre o assunto retratado.
Michelle Breitenborn, tem 21 anos, faz faculdade de psicologia no período noturno e sempre foi muito ligada a livros, principalmente os de gêneros fantasia, romance e autoajuda, com sua leitura favorita sendo a série “Senhor dos Anéis”, do autor, John Ronald Tolkien. Ela comenta que o hábito de ler livros, em geral, a ajudam a se desligar um pouco da realidade, porque começa a focar totalmente no enredo da trama, saindo por alguns instantes de sua vida cotidiana, e se colocando na história dos personagens.
A estudante de psicologia defende que essa forma de escapismo encontrada pelas pessoas necessita ser equilibrada, mas em geral, afirma ser benéfica. Esclarece que esse gênero de fantasias, nos incentiva a sermos mais positivos e imaginarmos um verdadeiro “conto de fadas” na nossa realidade, e que no final tudo acabará dando certo e retornaremos para a normalidade que estávamos acostumados a viver.
Tamiris Roda, de 21 anos, e estudante de engenharia florestal na Universidade de São Paulo (USP), também comenta que sempre foi muito apegada a livros, mais especificamente, desde os seus 12 anos de idade. Seus gêneros favoritos atualmente, são distopia, jovem adulto, fantasia e de uns tempos para cá, foi se interessando muito por mistério. Destaca, que seu livro favorito, é “Corrente de ouro”, o primeiro volume da trilogia “As Últimas Horas”, escrita por Cassandra Clare.
Ela diz que o gênero fantasioso é um dos grandes refúgios dela atualmente, onde sua mente acaba sendo transferida totalmente para o enredo do livro no qual está lendo, a fazendo ter um nível de entusiasmo elevado.
Tamiris acredita também, que essa forma de escape da realidade, é algo de caráter benéfico, que deve ser controlado na medida certa, para não se tornar maléfico. Pois, é certo que os livros nos distraem da realidade atual, porém não devemos colocar toda nossa satisfação e gratificação nessa atividade, porque temos que enfrentar de cabeça erguida os obstáculos que a vida real nos proporciona, para assim sabermos lidar melhor com eles e tirar algum tipo de aprendizado.
E para finalizar, Yasmin Jacob, de 23 anos, e publicitária, conta que desde sua infância, teve uma grande conexão com livros, que acabou se diminuindo um pouco por conta da pandemia, mas todo mês tenta retomar e colocar sua leitura em dia. Seu livro predileto dentre todos, se intitula “O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares”, de Ransom Riggs. Os gêneros que mais se identifica são, fantasia, “New Adult” e “Young Adult”, que são livros de romance com características mais joviais e contemporâneas.
Assim como as outras entrevistadas, Yasmin defende o fato de que o escape por meio de livros também possui natureza benéfica, pois não acredita que fantasiar seja algo negativo, principalmente, diante dos acontecimentos que estamos vivenciando. Relata que a cultura da leitura precisa ser mais valorizada e apreciada, pois vivemos em um país onde o número de pessoas não-alfabetizadas é maior do que as alfabetizadas, e só de saber que a procura por livros de fantasia disparou na pandemia, já é uma grande vitória para os brasileiros.
A publicitária ainda afirma que suas grandes fórmulas de escape na maioria são de índole artística, como pintura, escrita, colagem, leitura etc. Acredita que essas formas artísticas despertam a criatividade das pessoas até para relatar certos momentos, nos fazendo pensar e enxergar as coisas de outras formas e perspectivas.
Termina seus relatos dando, com base nos seus conhecimentos, uma definição que crê ser mais coerente para o que seria livros de fantasia. “Livros de fantasia são como um universo paralelo, onde quem gosta de ler tem a oportunidade de ser transportado, ajudando as pessoas a fugirem da realidade de uma forma saudável e gostosa.”
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