O que era diversão se tornou profissão
- Renata Ariel S. Cruz

- 23 de mai. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 24 de mai. de 2021
Mãe, estudante, estagiária na Band TV e produtora da ESPN, conta um pouco sobre sua jornada.
Marcella Azevedo tem 26 anos, é mãe, estudante, estagiária na Band TV e produtora da ESPN e tirou um tempo pra nos contar como foi todo seu trajeto no jornalismo. Desde pequena teve o apoio da família em seu sonho até mesmo quando seu tio a incentivava a ser repórter. Aos 18 anos se tornou mãe e precisou pausar seu sonho, em 2016 arriscou se matricular na faculdade e realizou um semestre, mas acabou parando e seguiu escrevendo para alguns portais de forma voluntária. Novamente em 2018 decidiu ingressar nos estudos e tudo começou a fluir, “ainda bem que não desisti desse sonho, amo o fato de contar histórias. É um orgulho muito grande”, afirmou
Sua trajetória profissional no jornalismo começou em Maio de 2018, quando decidiu participar de um processo seletivo para os canais Fox Sports, ela já participava de transmissões em web rádios mas nada remunerado a ponto de trabalhar apenas naquilo, e então conseguiu passar nas fases do processo mas em agosto o “não” chegou junto com um agradecimento pela participação. O tempo passou, ela continuou se dedicando ao que já fazia e em uma das transmissões que participava, ela só não esperava que teria uma nova chance de participar da seleção para janeiro de 2019.
Em 30 de novembro de 2018 ela relatou que foi o dia em que tudo mudou, quando estava trabalhando em uma confecção no Brás, que fica no centro de São Paulo. O telefone tocou, mas pareceu não ser importante já que tinha mudado de número recentemente, “não deve ser eles, deve ser a Claro me oferecendo plano, só pode”, contou. Então ela decidiu abrir seu e-mail e para sua surpresa o que ela menos esperava aconteceu, era o seu tão sonhado emprego tentando entrar em contato para informar que o “sim” havia chegado, assim ela iniciou sua jornada em 2 de janeiro de 2019.
Marcella permaneceu os dois anos de contrato até que ocorreu a notícia, a Disney havia comprado os canais Fox, fora ela ter permanecido um ano em home office por conta do isolamento social e tudo parecia estar perdido, “sonhei tanto com isso e agora que meu sonho virou realidade vai acabar assim?”, contou. Ela relatou também que um pouco antes de o contrato acabar a Disney/ESPN chegou a conversar com ela e falar sobre o interesse de continuar com a contratação, mas acabaram não dando uma resposta e ela conseguiu o estágio na Band TV, mesmo antes de sair de seu atual estágio. Diante desse cenário uma oportunidade surgiu, escrever para os dois lugares naquele momento e ela aceitou mesmo o contrato acabando de vez em dezembro. O ano acabou e janeiro chegou com um e-mail para uma reunião com a ESPN e a oportunidade de ser assistente de produção veio junto e claro que Marcella aceitou e desde então ela veio conciliando os dois. “Eu agradeço todos os dias, inclusive eu recebi a notícia que eu ia começar a escrever para o digital da ESPN, foi uma coisa surreal de boa”.
Com as responsabilidades veio as escolhas, abrir mão de morar com Lucca (8 anos) seu filho. Com a nova rotina de sair cedo para um trabalho e voltar tarde no outro e ainda morando sozinha não teria como cuidar, “desde o início deste ano o Lucca tá morando com pai dele, foi uma conversa que a gente teve super de boa”, contou. Ela disse também que foi julgada por alguns familiares pela decisão, mas se não fizesse aquilo que a fazia feliz não teria como fazer o filho feliz também, ela pretende continuar com seu sonho para poder oferecer a ele tudo que puder. “Quero que ele tenha um futuro que ele não demore tanto para saber onde ele realmente quer estar, quero que ele faça a faculdade dele e que eu tenha condição para pagar, quero que realize sonhos, a gente tá numa época que temos que dar valor para tudo. A gente se fala todo dia, eu faço lição com ele por vídeo, a gente dá risada, de final de semana eu busco ele”, afirmou. Diz que o pequeno sempre se orgulha muito de dizer aos amigos “minha mãe é jornalista”.
Suas maiores inspirações quando pequena eram Tiago Leifert e Fernanda Gentil, e fica feliz por ver como as mulheres vêm tomando espaço nesse núcleo do jornalismo. Ana Taís Matos, Renata Mendonça, entre outros são pessoas que ela também admira, “eu falo que às vezes eu queria ter uma memória como a do PVC, queria saber comentário de futebol como a Renata Mendonça, que fala muito bem de futebol, tem várias pessoas, acho que a gente pega o melhor de cada uma e vem tentando ser inspiração para outras pessoas também,”. Ela contou até mesmo de situações onde estudantes e amigos nas redes sociais contam como se orgulham do crescimento e onde ela conseguiu chegar através do jornalismo.
O desânimo antes de conseguir chegar ao seu primeiro estágio apareceu, a vontade de largar de vez a profissão e talvez seguir em outra área onde pudesse ter um crescimento mais rápido. A frase “você é jornalista, mas não te vejo na TV” chegou diversas vezes até mesmo de parentes, mas o sonho de crescer por ela e seu filho sempre foi maior. “Algumas vezes houveram discussões e veio o desânimo, mas o Lucca foi pra me colocar no eixo e mostrar que eu poderia ser além e é uma força fora do normal. Hoje eu entendo o motivo de nada ter dado certo.”, contou.
Marcella ainda pretende crescer na ESPN e se estabilizar, ainda não planeja algum projeto pessoal, mas sonha em algum dia escrever um livro mesmo não sabendo sobre o que seria. Já pensou em talvez conhecer a área do jornalismo investigativo e político mas ela tem um objetivo maior que todos, “antes de eu mudar de área eu preciso pelo menos cobrir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada e uma final de libertadores seria muito legal também, e eu tenho muita vontade mesmo de morar um ano fora pra ser correspondente.”
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