Arte Independente: os efeitos do isolamento social no meio artístico
- Renata Ariel S. Cruz

- 23 de mai. de 2021
- 4 min de leitura
A reinvenção de artistas afetados pela pandemia
Que a arte nunca foi tão valorizada e reconhecida é um fato. Apesar de se adaptar facilmente a novas tecnologias e sempre se inovar, não é suficiente para gerar um lucro favorável no final do mês. Em tempos onde o isolamento social é a realidade do nosso dia-a-dia, artistas tiveram que optar pelo mundo virtual e usar as redes sociais para começar a empreender com suas obras e outros até mesmo migraram para a arte digital.
Pesquisa realizada pelo Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, em 2020, mostrou que entre março e abril 41,8% dos artistas perderam a totalidade de suas receitas e entre maio e julho esta proporção elevou-se para 48,88%, sendo entre os participantes da pesquisa artistas plásticos e designers e em sua grande maioria autônomos.
A queda no setor cultural era de se esperar visto que sua valorização nunca foi reconhecida no país, mesmo com a Lei Aldir Blanc aprovada em março de 2020, que buscou um auxílio emergencial aos artistas que perderam sua única fonte de renda com a pandemia, os profissionais se viram sem saída para encontrar uma nova alternativa.
AMOR À ARTE
Queila Sales é artista, mora em Itamaraju, interior da Bahia. Ela tem o seu amor pela arte desde a infância e que sempre se viu desenhando em tudo que via, com passar dos anos decidiu que poderia se especializar no que fazia. “Vi que cada vez mais queria melhorar, então em 2018 testei novos meios de arte e comecei a pintar em telas. Vai fazer 3 anos que estou nesse mundo fazendo arte e agora ensino outras pessoas também” afirma.
Ela trabalha com pintura à óleo, uma técnica que surgiu desde o século V e X e que pouquíssimo se vê nos dias atuais. Suas obras foram para exposição de arte em sua própria cidade, em um evento conhecido por “Arte na Praça”, onde teve oportunidade de conhecer outras pessoas e de diferentes idades, que estavam assim como ela, expondo suas formas de expressão através da tela.
Queila conta um pouco sobre como está sendo trabalhar em tempos de pandemia e admitiu estar sendo difícil: “A parte que, eu não diria negativa, mas sim cansativa é que além de artista eu empreendo nessa área. Logo, todos dias tem um problema diferente pra resolver.” assim como ela, outras pessoas se viram sem alternativa para poder trabalhar e então optaram por ensinar ao mesmo tempo que expõe suas obras para diversos públicos que se interessam pela técnica artística. “Com certeza meu maior sonho na arte e na vida é levar meu conhecimento de pintura à óleo para outras pessoas. Eu amo ensinar e ver outras pessoas entrando nesse mundo de arte. O sentimento é inexplicável. Quero alcançar cada vez mais pessoas. E claro, levar minha arte pra todos os cantos, assim, vai ter meus sentimentos espalhados pelo mundo e quadros eternizados.”
A ARTE DIGITAL
Bruna Felipe Nunes tem 23 anos e vive na pequena cidade de Cianorte, interior do Paraná. Faz dois anos que ela trabalha com arte digital, com foco em Outline que é uma técnica de arte que traz a criatividade, através das fotos. “me apaixonei por essa arte no momento que descobri, e nunca mais parei.”
Diferente de outros artistas, Bruna se encontrou na arte digital de tal forma que atualmente consegue lucrar duas vezes mais. Mesmo com tantas incertezas como empreendedora, ela deixou o trabalho com carteira registrada para trás. “Os pontos negativos são a instabilidade financeira, pois nunca sabemos quanto vai ganhar; o medo de perder o perfil no insta e a falta de apoio dos parentes no começo”. Contudo, a experiência de ter o reconhecimento em suas redes por celebridades, a liberdade de seu trabalho e o carinho recebido são uma forma de recompensa.
Seu curso de Outline, que é uma técnica de desenho de um humano feito apenas contornando-o com algum aplicativo que tenha opção de camadas e o Pincel, é uma das suas fontes de renda e um sonho para ela com um grande objetivo, conhecimento e motivação, “Meu maior sonho é que meu curso de Outline, que é o primeiro do Brasil (não sei se do mundo porque nunca li nada sobre), ajude milhares de mulheres a conquistar seus objetivos com a arte, assim como eu estou conquistando. Quero que ele seja reconhecido e leve alegria para muitos lares”
DAS TELAS PARA AS PAREDES
Gabriela Falcão é de São Paulo, sempre amou desenhar figuras e papéis de cartas desde pequena. O amor pela arte ultrapassou as telas, quadros, digital e foi parar nas paredes, é isso mesmo, conhecido por Muralismo ou pintura mural é o tipo de arte que nasceu a partir de pinturas feitas no início do século 20 no México, e que se tornou seu trabalho, “pintar na parede é liberdade. A satisfação do cliente ao ver a arte pronta, é realmente a parte mais incrível”.
Assim como todos os artistas Gabriela preza pela forma de arte única que trabalha, mas conta que sua maior dificuldade é a falta de reconhecimento e espera que possa conseguir melhorar sua visibilidade. Entre todas as histórias, temos algo em comum: a busca por uma alternativa de renda. Seja expondo os próprios serviços artísticos, ministrando curso para outras pessoas ou fazendo ambos ao mesmo tempo na espera de conseguir o espaço no meio artístico.
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