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Os efeitos culturais negativos da objetificação feminina

  • Foto do escritor: Renata Queiroz
    Renata Queiroz
  • 22 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

A sexualização da mulher está em todo lugar. Nos programas de televisão, nos filmes, nos videogames, nas campanhas de publicidade, nas postagens das redes sociais... a lista é longa. Ainda vivemos em uma sociedade onde as mulheres frequentemente sofrem pressão para serem mais atraentes sexualmente, como usar roupas mais justas, postar fotos mais reveladoras e a “agir de forma mais feminina”. Esta exposição banal do corpo da mulher pode ter impactos comportamentais negativos, uma vez que nem todas se encaixam ao molde social pré-estabelecido.


Não é de hoje que a imagem da mulher foi transformada em objeto de consumo, basta olhar com mais atenção ao nosso redor, em todos os formatos de mídia que consumimos de forma aparentemente inofensiva. Na maioria das vezes, a maneira como a personagem feminina é ilustrada pela mídia em geral não se assemelha às mulheres comuns do nosso cotidiano, e isso é assustador, afinal, o mundo nos vê por meio desse olhar midiático, formando opiniões e criando padrões de comportamento a serem seguidos.


Do ponto de vista acadêmico, a teoria mais conhecida sobre o tema é a do male gaze (olhar masculino) publicada pela crítica cinematográfica feminista Laura Malvey, em 1975. Esta tese analisa como as mulheres na mídia são vistas a partir dos olhos do homem heterossexual e como elas são representadas como objetos passivos do desejo masculino, considerando que os espectadores masculinos são o público-alvo e, por consequência, suas necessidades são atendidas primeiro.


Além disso, a teoria do olhar masculino levanta o questionamento de que há muitos anos a indústria cinematográfica (Hollywood) tem sido formada por um grande número de executivos e diretores homens, impondo seus conceitos de como a mulher ideal deveria ser e lucrando com o fato de que a imagem sexualizada do corpo feminino mantém o interesse do sexo oposto. Por causa disso, a lente da câmera acaba assumindo um ponto de vista masculino.


Apesar do termo male gaze ter ficado conhecido por causa do cinema, ele ainda pode ser aplicado a outras mídias, principalmente à propaganda, porque mais que ser o objeto do olhar masculino, a mulher vira o objeto a ser vendido. Para o homem, a mensagem passada é a de que ao adquirir determinado produto, suas chances de conseguir conquistar uma mulher como aquela retratada na publicidade aumentam; já para o público feminino, o pensamento é de que elas precisam se parecer com aquela caracterização visualmente atraente para terem uma aceitação maior por parte da sociedade.


Portanto, a objetificação sexual feminina na mídia também causa um efeito psicológico negativo, pois faz com que a mulher crie ideias irreais de si mesma e busque um padrão de beleza e de comportamento inalcançáveis. A menos que as mulheres consigam desenvolver uma compreensão saudável sobre o que estão vendo ou ouvindo — e sabendo que essas representações destinadas ao público masculino não significam que elas precisam mudar a si mesmas — elas podem facilmente começar a interpretar esses conceitos de maneiras prejudiciais, podendo levar a conflitos internos como depressão, transtornos alimentares e baixa autoestima.


Mas afinal, como podemos mudar este quadro de banalização da imagem do corpo feminino? Infelizmente a resposta não é tão simples. Esta visão masculinizada está tão culturalmente enraizada em nossa sociedade, que a mídia acaba espelhando este comportamento. Para que ocorra uma mudança significativa, é fundamental acontecer uma transformação no pensamento coletivo em relação aos papéis sociais desempenhados por ambos os sexos, pois é impossível existir igualdade se a mulher continuar sendo vista como um objeto. Neste sentido, o movimento feminista tem evoluído bastante, cada vez mais ganhando voz nos veículos de comunicação e nas redes sociais. Enquanto mantivermos um diálogo aberto sobre o tema e reconhecermos que existe uma problemática, gradualmente mudaremos as referências das futuras gerações. É um processo longo e árduo, porém necessário.


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